Baek Jiyoo nasceu em uma família privilegiada, filha caçula de uma advogada e um ambicioso empresário, sempre estudou em excelentes escolas e teve o incentivo desde pequena a ocupar todo tempo livre com tudo que pudesse a qualificar profissionalmente. Canto, dança, natação, inglês… Tudo que fosse possível era adicionado na rotina da garota e só era tirado quando seus pais classificavam que não havia “futuro” naquilo.Entre tantas atividades extracurriculares, Jiyoo achou uma onde não apenas se divertida, mas também se destacava na flexibilidade, agilidade e leveza: a patinação no gelo. Em seu segundo ano, seu professor chamou os pais da menina para aconselhar que procurassem um treinamento profissional, pois ela tinha grande potencial, e isso fez brilhar os olhos do empresário que sonhava em fazer da família uma mina de ouro. De primeira Jiyoo amou a ideia, a patinação era divertida e desafiadora o suficiente para trazer a ela a sensação de vida, e os primeiros torneios foram levados com leveza, mesmo não tendo vencido, era bastante elogiada não só pela parte técnica mas também pela beleza e carisma.Porém, tantos elogios junto dos primeiros prêmios também fizeram crescer mais e mais os olhos de seu pai, e a pressão em cima da excelência passou a transformar o que era belo e divertido em ansiedade e transtorno, e as crises de pânico antes de cada uma das competições passaram a ser frequentes.Em 2022, em sua primeira oportunidade de representar a Coréia do Sul nas Olimpíadas de inverno em Pequim, durante um dos ensaios uma crise de pânico ocasionou uma queda que trouxe uma fratura no braço direito de Jiyoo e outra em seu tornozelo esquerdo, a deixando completamente incapaz de seguir na competição. O início da recuperação foi difícil, a sensação total de fracasso junto aos sermões decepcionados de seu pai e também do treinador, era como se tudo estivesse arruinado, e tudo que Jiyoo era e sabia ser tivesse chegado ao fim.Junto a terapia, foi a arte que tirou Jiyoo do fundo do poço. Redescobriu a paixão antiga que foi obrigada a apagar pela fotografia, pintura, artesanato… Passou a frequentar workshops, aulões e a montar seu próprio ateliê no quartinho livre em seu apartamento em Seul. Foi então, em uma de suas pesquisas por novas técnicas, que descobriu a Seorin Global University e, em um ato impulsivo, se inscreveu e organizou a pequena mudança para Gwangju, onde viveria no prédio da fraternidade. Se inscreveu também no Seorin on Air, o grupo de mídia, já que tinha grande facilidade e também carinho pelas câmeras, e por último fez a inscrição no Seorin’s Aurora, o time de patinação. Queria fazer as pazes com os patins e subir neles por paixão, por diversão e não por pressão de pais e treinadores, não era mais e nunca mais seria sua carreira, mas ainda podia ser algo que amava.